terça-feira, 14 de setembro de 2010
Vida
Já velhinha a conferência mas eternamente apaixonante. Ouvir e reouvir e tornar a ouvir e retornar a tornar ouvir.
Morri cheio de "saúde", passei o tempo a poupar-me.
Mas tu viveste ou andaste por aí?
CAMTIL II
Deixo antes o texto que deu origem a tudo isto, escrito pelo Pe. Vasco Pinto Magalhães, s.j.. Vale a pena investir 7 minutos a ler.
| A primeira dimensão é o contacto com a Natureza: contacto directo, ao ar livre, com a montanha e os rios, as plantas e os animais; os agregados humanos, as diferentes zonas, as riquezas e as misérias da nossa "geografia". Conhecer, respeitar, apreciar criticamente e saber dar-lhes lugar: saber os nomes, desvendar os mistérios da noite, contemplar as estrelas e o nascer do sol é integrador. De igual modo o respeito pelo próprio corpo, por vezes, posto à prova; o frio e o calor, a fragilidade e fortaleza, bem como o habituar-se ao essencial, que o viver numa tenda tão bem simboliza, desperta para os segredos da criação. Deixar-se fascinar por ela traz a interrogação sobre o Criador. Contemplar a beleza e sofrer com a degradação faz surgir a necessidade de escolher o equilíbrio austero e de apurar o "tanto quanto" do uso dos bens postos à disposição da nossa liberdade. Isto tudo nos põe frente a frente com um Deus de bondade (e de mistério) que tudo entregando em nossas mãos não impede o nosso "mau uso", mas nos faz perceber que se delapidarmos em vez de desenvolver e humanizar, estamos a cavar a própria infelicidade. Aqui está o sentido ecológico da vida a que o cristianismo sempre fez referência promovendo uma contemplação que não se demite da intervenção. E é assim que também se percebem e relativisam os bens do mundo urbano. |
| A segunda dimensão é a vida de grupo e a amizade. Há equipas livres de tenda e criatividade espontânea e equipas organizadas de jogos e serviços. Adquirir o sentido de corpo pela partilha, pelo valorizar dos próprios talentos e confronto e apreço pelos dos outros, sem competição primária (sendo competitivo e competente): é-se chamado a dar valor às diferenças sem deixar de crescer em auto-estima. Saber ser feliz e "vencedor", não porque se tem a melhor equipa, mas porque se tira o melhor partido e porque, desportivamente, se luta para alegria de todos. Aqui se escondem e despontam duas virtudes tão humanas e cristãs : a solidariedade e a gratuidade. Pôr ao serviço a alegria e a imaginação , tanto nos jogos como na reflexão como, igualmente, no lavar da loiça em equipa, ou o ajudar na cozinha... ou até mesmo o tratar do lixo, pode ser ocasião de divertimento e de amizade. Novos amigos, rapazes e raparigas, procurando um são convívio dos sexos, atendendo à psicologia das idades, acontecem para além das regiões de origem e dos estratos sociais. No Campo, despojados dos artifíciops da cidade, cada um vale mais pelo que é do que pelo que tem. Que cada um se descubra membro de uma comunidade, onde todos fazem falta a todos e não só pelo que produzem. A isto os primeiros cristãos chamaram de Igreja. E aí está o segredo da paz: ela é fruto das relacções humanas de apreço mutuo e da corresponsabilidade. |
| A terceira dimensão tem a ver com os trabalhos e tarefas, as mais variadas e rotativas. É o serviço: desde cavar uma latrina e ir buscar àgua para os outros até estar atento para se oferecer nas necessidades que surgem. E, para os animadores, sobretudo, é levantar-se de noite para esticar uma tenda, atender calmamente ao que chora; é não poder participar num jogo porque se fica a preparar a caminhada ou a sopa... Este também é o capitulo da criatividade, do sentido estético, mas também do sacrifício... da alegria de ajudar e de renunciar, da humildade de fazer sem esperar louvores e de se deixar ajudar. O Campo ajuda a revelar talentos e a consolidar e purificar outros tantos. "Nunca tinha pensado que era capaz de limpar uma latrina!... nem imaginava que podia fazer os outros rir". Vencer preconceitos e arriscar-se a falar e a participar faz descobrir que o mundo pode ser mais justo. O ideal da justiça deixa de ser uma utopia, o trabalho deixa de ser um peso ou um castigo, mas torna-se uma missão que realiza quem a cumpre e renova o mundo. |
A quarta linha de força é a experiência da Fé que fundamenta Justiç a e inspira as outras dimensões . Propões-se uma fé que seja uma relação pessoal de confiança com um Deus vivo na História e na minha história, que mostrou a sua cara em Jesus e continua actuante, libertador dos medos e dos egoísmos e responsabilizante pelo crescimento de todos e cada um. Mais do que dar uma Doutrina que também é importante esclarecer em linguagem adaptada a cada idade, trata-se de fazer experimentar a alegria dessa presença amiga e libertadora. Para isso cada Campo de Férias tem, o seu Tema de fundo evangélico que vai sendo desenvolvido cada dia. Começa-se, logo pela manhã, com o Bom Dia Senhor, impulso da jornada, desde aos jogos aos serviçosi; e segue-se com uma Palavra-chave (ponto de esforço), para tudo Avaliar, ao final do dia. Este deve acabar em cântico de agradecimento, despedida e paz. As Missas de Campo preparadas por todos serão sempre pontos altos de participação na festa do perdão e na comunhão, como alimento das forças para o caminho. E o testemunho dos mais velhos, directores e animadores, em verdade e simplicidade, é fundamental. Todos preparam e celebram: em grupos escolhem os textos, fazem as orações e os cânticos, procuram símbolos da vida para oferecer... Nasce assim uma liturgia despojada, de linguagem, viva, onde até o local e o altar é feito e preparado pelos grupos. A fé assim vivida e ligada aos acontecimentos, o evangelho assimilado e até teatralizado, posto nos nossos dias, há-de dar os seus frutos orientando e inspirando as opções de futuro. |
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Educação
II. Há dias, o humor chegou à própria arquitectura das escolas. Um génio da "Parque Escolar" decidiu que a sala de aula já não pode ser o centro da escola, porque isso representa o passado, porque isso representa um ensino centrado, imaginem, no professor. A "Parque Escolar" quer "uma escola descentrada da sala de aula, em que os alunos se espalham por espaços informais, com os seus computadores portáteis, cruzando-se com os professores na biblioteca e discutindo projectos" . Alguém tem de explicar à "Parque Escolar" que uma escola não é um campo de férias. Alguém tem de explicar à "Parque Escolar" que o centro da escola é mesmo o professor. O aluno está na escola para aprender.
III. Já agora, aproveitando esta onda de humor involuntário produzida pela pedagogia pós-moderna, eu queria deixar uma proposta à "Parque Escolar" e ao ministério: que tal acabar de vez com o professor? Que tal substituir o professor por babysitters? Porque nesta escola "moderna" os professores são isso mesmo: babysitters. Uma salva de palmas para a 5 de Outubro.
por Henrique Raposo
quarta-feira, 9 de junho de 2010
educação
Nem se quer questionando a educação sexual: é mesmo com este género de aulas que as gravidezes indesejadas ou as doenças transmissíveis ou o quer que seja vão diminuir? É tudo grátis...
Os alunos com mais de 15 anos e com o 8.º ano de escolaridade podem passar directamente para o 10.º
aposto que 3 pessoas vão tentar... e nenhuma vai conseguir. Diz que não é baixar de exigência porque os exames são os mesmos. Mas assim ninguém aprende com os próprios erros.
Continuar com a educação assim = não sair da crise nunca.
tj
YEI
Vou lutar contra a descriminação da descriminação...
E parece que foi directamente encomendado o artigo que saiu na presente semana numa revista americana. Supostamente os filhos de casais homossexuais são melhor sucedidos e menos agressivos. É de salientar que os casais não foram escolhidos aleatoriamente (assim também eu... ). Mesmo assim, não consegui ir ao site da revista e não sei o que significa este "maior sucesso" nem esta "menor agressividade" mas tudo me parece pouco saudável. Em que adultos é que estas crianças se vão tornar? Existe uma ordem natural (que vem da Natureza) no crescimento e os exemplos são fundamentais.
Não escrevo outra vez sobre o assunto.
tj
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Deputados

Ora pois bem, hoje vou vestir uma t-shirt preta, por uma camisa cinzenta por cima, arregaço as mangas, não aperto os botões, não faço a barba e nem se quer me penteio como deve ser de manhã, A.K.A vou para S. Bento!!! Haja vergonha na cara, isto é falta de bom-senso.
até já
quarta-feira, 17 de março de 2010
Lei da Rolha

No congresso do passado sábado, Pedro Santana Lopes propôs a lei da rolha, que ninguém seja dissonante da direcção do partido a partir de 60 dias antes de actos eleitorais. Acredito que tenha sido proposta com intenção de melhorar o partido que muito se tem vindo a subdividir ao longo dos tempos mas será que o fará?!
Não me parece uma lei brilhante não só porque nos colamos a todos os outros partidos (que andam todos bem ordenadinhos) mas porque divide cada militante. É mais importante permanecer dentro do partido ou dar a minha opinião e ser expulso? Não me parece brilhante porque limita a liberdade, nestes termos (bem sabemos que o partido é como um "Clube", que se rege pelas suas leis). Não me parece brilhante, nesta altura da conjuntura que anda tudo com medo pela liberdade de expressão. Não me parece brilhante porque vai contra a imagem (acredito que seja boa) que o partido tem transmitido nos últimos vários anos: a da pluralidade.
Todos os candidatos a líder votariam contra se tivessem oportunidade. Todos se manifestaram contra ela (até Pedro Passos Coelho). Não dirá isto alguma coisa?
Deixo aqui mais uma opinião interessante, apesar de não concordar com ela na íntegra, só porque sou um tipo plural.
tj
quarta-feira, 10 de março de 2010
Consequência
Na obra Os Maias, Maria Eduarda acusa o Carlos da Maia de não ser consequente: "se unisse aquilo que sente àquilo que faz já me teria beijado.".
Quando li esta obra do Eça, tal passagem ficou-me na memória. Ser uma pessoa consequente, unir, até que mais não seja possível, as minhas convicções e ideais às minhas acções. Ser coerente na vida. Não é certamente de agora este pensamento mas talvez agora seja, de facto, a maior prova nesta meta quotidiana. Passaram quase 3 meses de desafios superados ou falhados, de expectativas preenchidas ou defraudadas. Estabeleci metas a alcançar e agora reparo na falta de humildade que tive, tanto para cima como para baixo, em algumas: ambição a mais ou a menos. Aquando disto tudo, muito mudava no Mundo- EUA, Bombaim- e noutra escala, se calhar mais próxima, em Portugal- o banco, a desonestidade e pequenez. É-me difícil perceber a falta de estima que existe pelas pessoas. Fico desiludido com este cenário, fico com aquele sentimento verde de querer mudar o mundo, fico desiludido por ser só um e por ter consciência dos meus limites. Podia-me empatar e desiludir a mim próprio mas em vez disso... Sou consequente e se nenhuma outra motivação pessoal existir para isto que seja então por patriotismo, para fazer evoluir os meus iguais. Tenho consciência dos meus limites mas em vez de encarar como uma fraqueza, encaro como uma fortaleza: eu tenho alcance! e que melhor educação que o exemplo?
É sabido que, apesar de tudo, sou português de gema. Quero produzir em Portugal (sem ser aqui teimoso) porque confio em mim e na minha coerência, em mim e no meu trabalho, em mim e no meu exemplo. Sei que vai ser bom, que vamos evoluir e vou ser também responsável por isso. É assim que eu vou mudar o mundo.
ate já
teria todo o gosto em conversar sobre mais do que estes assuntos!
tj
sábado, 6 de março de 2010
Fins e meios
Cerca de 63 por cento dos portugueses toleram a corrupção desde que produza efeitos benéficos para a população em geral
Cumprir a lei e ser injusto ou não cumprir a lei e ser justo?! É a dúvida que se me assola várias vezes, na minha vida, se substituirmos o conceito Lei por correcção. Não é óbvia a resposta. Quando se muda de escala e se passa a falar de governantes, esta questão não se deveria por!! O parlamento tem o poder de legislar (que é muitissimo pesado) e se ser justo e imparcial vai contra a lei, então algo tem que se rever. Atenção, cuidado, que não devemos confundir este dilema (e a disposição de mudança) com o que verificamos, que é corrupção "robin dos bosques" com contrapartidas interessantes (quer monetárias, quer mediáticas) e descaramento gigante em roubar. Os fins não podem explicar qualquer meio e se tudo aquilo a que temos assistido continuar a passar sem revolta interior de cada pessoa, então temos uma crise muito pior que a Política, temos uma crise pessoal, na sociedade.
Não se sentem com atacados por tudo a que temos vindo a assistir?! porra
tj
terça-feira, 2 de março de 2010
Religião
O que se extrai daqui é que ser moderado começa a ser uma virtude, neste tempo em que defender uma posição intensa ou extremista (qualquer que seja, olhe-se por ex. para o Saramago, para o jornalismo gratuito, para alguma política, etc.) é que está a dar e é o que dá notoriedade. Moderação parece-me ser o normal...
tj
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Visão - pornografia
O que me trás aqui, desta vez, é a capa da Visão. Não vou pôr aqui a imagem da manchete, se quiserem procurem, mas houve uma altura que me apeteceu, por tão irritado que fiquei. Por respeito aos madeirenses, neste caso, não o faço e tenho pena que alguns jornalistas não tenham a mesma sensibilidade. A fotografia mostra uma equipa a resgatar um corpo sofrido. É uma imagem sensacional, quase não dá para lhe ficar indiferente mas é uma falta de respeito muito grande e uma invasão da privacidade desmesurável. São pessoas, não são animais. E se a tragédia tivesse sido com alguém da minha/vossa família?! O objectivo último não deve ser fazer a melhor capa, a mais apelativa e chocante. Fotojornalismo...
Das primeiras lições sobre a vida que aprendi foi "a minha liberdade acaba onde começa a do outro". Frase bonita e tal mas tem conteúdo.
Alertado pelo Francisco S.F.
tj
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Estratégia. Credibilidade. Estratégia
Tenho pena que neste nesta altura da história a Credibilidade e a Coerência sejam tidas como virtudes e não como um dado adquirido, básico, implicito, óbvio, normativo apesar de não regrado (não me cansaria aqui de rotular com mais palavras). Entre jornais e conversas estas características não deveriam ser se quer mencionadas nem pensadas. Este descalabro, que poderia muito bem ser mencionado pelo Velho do Restelo paralelamente aos descobrimentos, é a nossa decadência e começa com a falta de exigência e falta de "querer" para passar a ser o usual, não incomodativo.
Dito isto, porque não arranjar alguma estratégia, bem pequenina, só para fazer saír as ideias bem claras? De maneira nenhuma aliar marketing a manipulação (pode existir esse risco mas, à partida, somos todos íntegros e verdadeiros) mas é que as tantas já farta a azelhice constante e a falta de senso! Dá para olhar para os últimos 5 anos e perceber por onde é o caminho??